terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Obstáculos

Obstáculo é tudo o que afronta uma pessoa ou alguma coisa, e de uma forma ou de outra impede que ela prossiga. O obstáculo pode ser físico, mental, virtual, e às vezes pode até ser apenas fantasioso. Pode ser representado por uma barreira física (um paredão, uma faixa de fogo, um cão raivoso, um rio, falta de dinheiro, etc.). Pode ser falta de confiança na própria capacidade de atingir a meta. Pode ser qualquer paradigma que os outros disseram que existe (que não viu, mas que acredita nos outros e desiste da luta). Pode ser algo que nunca existiu e que jamais existirá, mas é fantasiado (consciente ou inconscientemente) como forma de justificar sua fraqueza e a sua desistência. Enfim, pode ser qualquer modelo mental criado em qualquer época em sua cabeça, e que por algum motivo se nega a permitir que seja modificado.

Henry Ford disse que obstáculos são coisas terríveis que vemos quando tiramos os olhos do nosso objetivo.

Os obstáculos físicos, mentais, virtuais, ou de qualquer espécie, imagináveis ou reais, só conseguem levar uma pessoa a desistir de seu intento se ela o permitir. Um não a um obstáculo se torna um antídoto para esse mesmo obstáculo e acaba abrindo caminhos para a busca de alternativas para a sua superação.

Muitas vezes a pessoa é apressada demais: quer atingir as metas em tempo record. É como se quisesse subir uma escada começando já pelo último degrau. As escadas existem para possibilitar o deslocamento gradativo e seguro de um plano mais baixo para outro mais elevado, e vice-versa. E a melhor forma de chegar com segurança é utilizar um degrau de cada vez. É sabido que a escalada de um degrau de cada vez independe de se ter a visão de toda a escada, pois ela pode ser longa e também tortuosa. O importante é que se tenha foco naquele degrau que está apoiando os pés enquanto os olhos buscam pelo seguinte.

Acreditar na própria capacidade é decidir alcançar o sucesso. É descobrir que é possível. Não importa o que as pessoas falam dos outros, tampouco a forma como os julgam, e muito menos as conclusões que abstraem desses julgamentos. Nem sempre a opinião dos outros a nosso respeito tem valor. Por isso não há necessidade de aceitá-la, ou mesmo conhecê-la. As pessoas que torcem pelos outros não os julgam, mas apoiam, dialogam e oferecem ajuda.

Existem pessoas tão negativas e autodestrutivas que não merecem sequer nossa atenção. Elas se sentem tão pequenas que não aceitam o sucesso dos outros e tentam contagiá-los com seus infortúnios, a ponto de tentar envolvê-los e fazer parte de seus próprios fracassos. Mas essas negatividades atingem somente os fracos, aqueles que lhes abrem as portas permitindo-lhes a entrada. Precisa estar ciente que o que está ao redor está fora de nós. E o que está fora não faz parte de nós, a menos que permitamos a sua entrada.

As vitórias sempre são mais saborosas quando atingidas com o próprio esforço, e à revelia da opinião e dos julgamentos dos outros. Pequenos detalhes e pequenos passos muitas vezes levam a alcançar vitórias grandiosas.

Alguém disse: “às vezes parece que o mundo virou de cabeça para baixo, mas aí a gente ajusta o olhar e vê a vida por outro ângulo”. Os atropelos e os tombos podem direcionar para visões diferentes daquelas que se imaginava ou se buscava. Daí vai a capacidade de mudar a direção e contemplar outras paisagens, outros horizontes, através de outros caminhos até então inexistentes.

Qualquer obstáculo pode ser minimizado através da atitude firme de quem se propõe a superá-lo. Se o indivíduo se detiver a contemplá-lo considerando-o um empecilho para a sua caminhada, ele realmente poderá se transformar num paredão intransponível. Mas se a sua atitude for a de um vencedor, ou seja, se ao invés de permanecer focado no obstáculo passa a buscar soluções, ele conseguirá vencê-lo sem traumas, pois a atitude positiva é a melhor ferramenta para rasgar novas sendas rumo ao infinito.


Nunca se deve insistir em uma única alternativa frente a qualquer problema. A capacidade das pessoas em buscar alternativas é infinita. Precisa ser como a água que contorna os obstáculos até encontrar um caminho para seguir seu curso.
(Publicado no JNB em fev/2018)

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Mudança consciente

Mudar não significa necessariamente deixar de fazer o que se está fazendo para fazer outra coisa, mas passar a fazê-lo melhor: com mais agilidade, a menor custo, com melhor apresentação e com melhor qualidade. 

Nesse caso, mudar passa a significar melhorar. E melhorar tem tudo a ver com competir. Competir na condição de melhorar é o caminho mais confortável para a liderança.
                  

Mudar, portanto, não significa obrigatoriamente perceber que algo está errado, mas certificar-se de que adotar medidas preventivas consistirá em evitar que as transformações, naturais ou tempestivas, abalem as estruturas da empresa. 

Estar aberto à mudança significa, antes de tudo, estar adequadamente preparado para os embates e as vicissitudes que poderão advir.

As mudanças no mercado de hoje

Sabe-se que a competição no mercado de hoje exige capacidade de saber reavaliar padrões e até conceitos. 

Se a cada dia são oferecidos ao mercado produtos e serviços novos, significa que a sobrevivência dos produtos e serviços atuais pode ser reduzida sempre mais. 

Por isso a importância da adequação às expectativas do mercado. Se necessário, deve-se abandonar determinado produto ou serviço, mesmo que tradicional, sob pena de se perder o mercado em definitivo. 

Os mercados não são fiéis como o eram até a poucas décadas. 

Prosperidade

Se queres um ano de prosperidade, cultive trigo.
Se queres dez anos de prosperidade, cultive árvores.
Se queres cem anos de prosperidade, cultive pessoas.

(provérbio chinês).

Hora de parar?

Quando a gente chega a este mundo, através do nascimento, inicia-se uma caminhada cuja distância não é previamente revelada. Assim, a pessoa começa a caminhar, conhecer novas coisas, novos caminhos, novas pessoas... e segue caminhando. Até onde caminhará? Na verdade, ninguém sabe. É a maior das incógnitas.


Existem pessoas que sofrem por não saber até onde poderão chegar e até quando poderão tentar chegar. Para alguns, isso se torna um verdadeiro martírio. Um espinho no pé, que incomoda durante toda a sua caminhada.


Muitos abandonam o barco (todos os barcos) a partir de determinada idade por que entendem que o fim está próximo. Outros relutam a começar por que entendem que são muito jovens para tal. Outros aproveitam todos os dias e seguem adiante até que a vida lhes permita fazê-lo.


Difícil saber quem está certo. Ou mesmo se alguém está certo. Ou se determinadas perguntas ou decisões são decorrentes do medo de enfrentar uma realidade patente (o fim de tudo!), mesmo sabendo que o desfecho não depende de cada um.


No final das contas surgem outras perguntas ainda mais pertinentes?

- Quando começa a velhice?
- Quando começa a vida adulta?
- Quando começa ou termina a juventude?
- Qual o limite entre cada um desses degraus, ou seja, onde termina uma idade e começa outra? A idade cronológica é suficiente para essa decisão?


E outra questão intrigante: será que as respostas estão mesmo relacionadas com a idade cronológica da pessoa? E ainda: quem define a idade, a cronologia ou a escolha da própria pessoa? Em síntese: Até que ponto a idade cronológica influencia, ou determina, ou define as decisões de uma pessoa?


Diz-se que o ideal é que as pessoas atuem de acordo com sua idade cronológica. É o que as sociedades atuais esperam. É uma espécie de padrão mundial vigente. Entretanto, surge uma dúvida: até que ponto uma sociedade tem poderes para estabelecer parâmetros de competência para seus cidadãos? Não seria uma forma de “bitolamento” das pessoas, mantendo-as aprisionadas a cabrestos virtuais (mas reais) para evitar que se sobressaiam das demais e, com isso, cheguem a comprometer os padrões sociais estabelecidos não se sabe quando e por quem, mesmo sabendo que esse “cabestreamento” subjuga inclusive aqueles que se julgam seus idealizadores?


Com base nos parâmetros da sociedade atual, é comum ouvir-se expressões que, consciente ou inconscientemente, determinam posicionamentos de pessoas em redutos que podem segregá-las do convívio que deveria ser natural para todos, tais como: jovens com cabeça de criança, ou de velhos, em contraposição a “jovens adequados à sua idade”. Adultos com cabeça de criança, ou de jovens, quando não de velhos. Velhos com cabeça infantil, inadequados à sua idade. E assim por diante.


Ora, o que define a adequação à idade? Ou, o que é adequação à idade? A idade cronológica deve mesmo determinar a idade real da pessoa (a cabeça da pessoa!)?


Rotular pessoas é aprisioná-las, negando-lhes o direito de conduzir a própria vida e de ser artífice de seus feitos. 
Essa forma de amordaçar as pessoas equivale a extorquir-lhes o direito de decidirem sobre seu próprio presente (já que o futuro é incerto). E, com isso, é comum que a sociedade defina, mesmo que de forma informal (mas real), quando o cidadão deve começar a trabalhar e quando dever parar (é claro que deve ser salvaguardado o direito da criança e do jovem à educação e de se desenvolver fisicamente antes de exigir-lhes compromisso profissional). Existem exemplos em todos os países de cidadãos que empreenderam e produziram grandes realizações a partir de idade cronológica que, segundo padrões da sociedade em que se insere, deveriam parar e se entregar ao tédio, ao nada, mediante a hipócrita insinuação de que é chegada a hora de descansar (como se para descansar é necessariamente preciso dedicar-se ao nada).


Por isso, entende-se que a hora de parar deva ser prerrogativa exclusiva de cada pessoa, independentemente de padrões formais ou informais correntes em qualquer sociedade. Portanto, mãos à obra!

(Publicado no JNB em setembro de 2014)

sábado, 19 de agosto de 2017

Verdade

Ao falar sobre a verdade, o filósofo Arthur Schopenhauer assim se expressou: Toda verdade passa por três estágios: no primeiro, é ridicularizada. No segundo, é rejeitada com violência. No terceiro, é aceita como óbvia e evidente.

Ninguém é detentor exclusivo da verdade. Não é marca exclusiva de alguém. Não faz parte do DNA de uma única pessoa. Ela pode se se apresentar diferente para cada pessoa. Alguma coisa se torna verdade a partir do momento que é aceita pela pessoa. Por isso, não são bem vindas verdades impostas. Verdade tem a ver com a crença, com a convicção e com a consciência de cada um.

Mas, se analisado com cuidado o conceito de verdade expresso pelo filósofo Schopenhauer, pode-se observar que muitas vezes é isso mesmo que acontece. Num primeiro momento uma verdade pode ser ridicularizada por que a maior parte das pessoas não teve a oportunidade ou a disposição de analisá-la em todo seu contexto. E a insistência (mesmo que não proposital) de não se aprofundar no assunto pode levá-la a ser rejeitada com veemência, ou mesmo com violência, principalmente quando ela pode se apresentar como uma ameaça às nossas crenças, ao nosso modo de ser, de nos comportar na sociedade, ou quando ela pode implicar na perda de poder de qualquer espécie. Quando, finalmente, todos a entenderem de fato, ela passa a ser aceita como óbvia, inequívoca, evidente a ponto de se exclamar: como não pensei nisso antes! Essa conclusão, porém, não é pontual para todos: ela atinge e conquista as pessoas gradativamente. Enquanto alguns alcançam o terceiro estágio, outros ainda se encontram no segundo ou no primeiro.

Muitas vezes a verdade é patente, evidente, transparente, inconteste, e mesmo assim muitos não a aceitam (pelo menos publicamente). Será que não a veem ou apenas não querem reconhecê-la? Será que ainda não chegaram ao terceiro estágio ou apenas não querem dar o braço a torcer?

Existem pessoas que não mudam de opinião mesmo sabendo que estão erradas, e mesmo que direta ou indiretamente tenham sido prejudicadas. Insistem no erro por medo, talvez, de ser desacreditadas, ou de perder seu status. Criam subterfúgios para justificar sua forma de pensar, de se manifestar, e tentar descaracterizar tudo o que viria a contradizê-las, como se isso as rebaixasse diante dos outros. São mentes obtusas que não aceitam que é possível aprender de outras pessoas, crescer e voar bem mais alto do quanto estão habituadas.


Da mesma forma que o pior cego é aquele que não quer ver, pior do que estar errado é persistir conscientemente no erro.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

É t i c a


Muitas pessoas confundem ética com moral, julgando tratar-se de sinônimos. Mas não são. Cada uma contém seu próprio sentido.

Moral significa costumes (do latim: mores). Trata dos costumes de uma sociedade, de suas regras, leis, convenções. Regras e leis são pautadas nos costumes de determinada sociedade. Assim, pode-se sintetizar que a moral é a totalidade de regras e costumes que se aplicam no dia a dia para os cidadãos de uma sociedade.

Ética (do grego: ethos) significa modo de ser, de se comportar. Ela busca a melhor maneira de se comportar e de viver, o melhor estilo de vida com base nos hábitos (leis) de uma sociedade. Tem a ver com o caráter da pessoa.

Em síntese, enquanto a moral se ocupa das leis, a ética se ocupa do caráter, do comportamento do cidadão.

O objetivo da ética é estabelecer bases para guiar o comportamento das pessoas, possibilitando-lhes que forjem um caráter capaz de definir os seus passos. Portanto, cumprir as leis, as regras, é moral. Cumpri-las da melhor maneira possível, mesmo sem ser visto ou observado, é ético, é do caráter.

A ética é fundamental para forjar a cultura de uma sociedade, pois uma sociedade não se mede apenas pela capacidade dos seus cidadãos de cumprir as leis, mas, sobretudo pelo seu caráter, pelo seu comportamento.

Uma sociedade que pauta suas atitudes na ética é uma sociedade justa, com direitos e deveres iguais para todos, sem privilégios decorrentes de funções exercidas por cidadãos.

Se na sociedade todos adotam a ética como princípio de vida não apresentará injustiças de qualquer espécie. Por se tratar de comportamento, de caráter da pessoa, a ética é acima de tudo uma atitude, uma escolha espontânea de vida, sem necessidade de imposição.

Por ter essa prerrogativa, a ética é difundida entre os cidadãos sobretudo através do exemplo. E esse exemplo é muito mais forte quando advindo daqueles com maior visibilidade e com responsabilidades de liderança. Sempre que houver mau exemplo por parte dessa parcela de cidadãos, existe o risco da ética ser sepultada por grande parte da população, e substituída pelo egoísmo, pelo “quem pode mais chora menos” ou pelo “salve-se quem puder”. A consciência de retidão é facilmente apagada perante maus exemplos emanados de pessoas influentes.

A impunidade cria o conceito de que a ética é para os fracos, enquanto a esperteza faz parte da vida dos fortes e daqueles que sabem viver bem.

No Brasil, infelizmente, o conceito de ética vem sendo cada vez mais degradado e esquecido por muitos, e substituído por uma falsa esperteza, que um dia se voltará contra eles próprios.