quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Ser amigo


Para ser amigo de verdade não precisa ser uma estrela, um super-homem. Alguém que se sobressaia a todos, a tudo, em qualquer momento ou lugar.

Basta que seja humano, igual a todos ou outros humanos. Com virtudes e com defeitos. Forte e fraco. Basta ter sentimentos, ter coração.

Deve saber olhar fixamente nos olhos sem sentir medo de desvendar seus segredos, sem medo de descobrir segredos do amigo.

Precisa saber falar e saber calar nas horas certas. Saber ouvir. Respeitar a dor que o amigo carrega. Saber amar.

Saber compartilhar e guardar segredo. Gostar de ser chamado de amigo. Colocar a mão amiga no ombro do amigo – mesmo que virtualmente – a qualquer momento, não importa se for momento de alegria ou de sofrimento. Não importa se sorrindo ou se chorando. Mas que em qualquer circunstância, chame o amigo de amigo, e também se sinta amigo em todos os momentos.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Virar a página

Diz o provérbio: “Quando se chega à última página, fecha-se o livro”. Mas pode-se dizer, também: “Quando se chega à última página, inicia-se outro livro”. É uma questão de escolha.

A vida é feita de escolhas. Muitas escolhas. Escolhas constantes. A cada dia, a cada hora, a cada momento. Algumas erradas, muitas certas... Mas sempre e sempre muitas escolhas.

Será que somos reféns dessas escolhas? Ou da vida? Ou...?

Não sei. Talvez sejamos reféns de ambas – da vida e das escolhas. Ou de nós mesmos. Ou de ninguém... Não sei.

É possível que não sejamos reféns nem da vida, nem das escolhas, nem de ninguém. Atrevo-me a dizer que não somos reféns se tivermos vida e se fizermos escolhas. Escolhas acertadas, é claro.

As escolhas são o tempero e o combustível da vida. Através delas a vida toma jeito, se torna atraente, se reveste de um dinamismo singular e superlativo que distribui disposição para enfrentar os obstáculos, desmascarar paradigmas e realizar.

Por isso, ao se chegar à última página de um livro, é importante lembrar que outros, muitos outros livros com muitas páginas estão na fila, à nossa espera, para serem abertos, lidos, entendidos, vividos. Ou escritos, quem sabe. Páginas em branco para serem preenchidas. E cada página de cada um desses livros pode ser muito mais interessante e mais eloquente que todas aquelas já lidas ou escritas.

É preciso lembrar que a última página de um livro não é de fato a última página. Ela tem a função de ser precursora de outras ainda mais edificantes, inéditas talvez... É como o horizonte, tão grande e distante, mas que parece descansar sobre as ondas das montanhas ou no leito das pradarias. Parece ser do tamanho do alcance da nossa vista. Entretanto, se nos dirigirmos em sua direção vislumbramos um novo horizonte, ainda mais envolvente e maior que o primeiro. E quanto mais se avança, mais e mais horizontes vão surgindo, cada um com seus atrativos, com suas características e belezas, como páginas que vão sendo lidas, escritas, e deixadas para trás.

A vida é um grande livro. A diferença é que a última página ainda não foi escrita. E a gente nem sabe quando a escreverá. Cada um o fará a seu tempo, da forma como escreveu a primeira, a segunda, e todas as demais. Com o mesmo estilo. Se todas as anteriores forem interessantes, não haverá motivo para a última ser diferente, ou decepcionar, ou ser obscura ou de entendimento dúbio. Será a melhor, com certeza.

Todas as páginas são importantes. Precisamos escreve-las bem e ler com atenção cada uma delas, da melhor maneira possível. Corrigi-las sempre que necessário. Dar o melhor de nós em cada uma delas, em cada linha, em cada palavra, em cada letra. Assim a última será apenas a conclusão, a conseqüência, a coroação de um longo e frutuoso trabalho.

Cada momento vivido pode ser comparado a páginas do livro da vida que cada um, mesmo sem saber, escreve durante os seus dias. A cada dia mais e mais páginas. Podem ser páginas chatas, sem interesse, sem graça, sem qualquer atrativo. Ou páginas excelentes, recheadas de novidades atraentes, construtivas, criativas. Podem ser páginas repletas de pessimismo, de egoísmo, narcisistas, destruidoras. Mas podem ser cheias de otimismo, altruístas, construtivas. Páginas que semearão bondade, recordações maravilhosas, regeneradoras.

Quando virar uma página? Sempre que se acaba de lê-la, ou de escrevê-la, ou de assimilá-la... A cada momento. A cada dia, a cada ano que passa.

O fim de cada momento deve sempre ser o começo de outro ainda melhor. Não existe fim. Tudo é começo. Começo de algo, de uma situação, de uma vida.

(Postado no JNB em Dez/2011)