terça-feira, 2 de julho de 2013

Crime e inocencia

A cada dia se ouvem notícias de crimes praticados por menores. Menores agindo sozinhos, ou liderando outros menores, ou menores liderando maiores de idade.

São crimes de toda espécie: desde os mais “inocentes”, até os mais hediondos, não imagináveis até a bem pouco tempo.

Assalta-se para roubar. Mata-se para roubar. Ou por prazer de matar. Sem arrependimento. Sem escrúpulos. Enfim, mata-se apenas para matar.

A vida deixou de ter valor. Matar parece que passou a se confundir com a conquista de um novo troféu. Quanto mais vítimas abatidas, mais cresce a quantidade de troféus na coleção do assassino.

A sociedade clama por justiça. E a justiça não acontece principalmente no caso de envolvimento de menores. Isso tudo com base nas nossas leis.

A sociedade sugere a revisão da lei, a redução da idade penal. A grande maioria exige a redução da idade penal. Afinal, quem tem direito de votar, escolher seu presidente, governador, prefeito, parlamentares, etc., presume-se que tenha consciência daquilo que faz, daquilo que pratica. Daí subentende-se que esses menores estejam cientes de seus atos.

O que não se entende é a teimosia dos nossos legisladores, e de algumas outras pessoas que frequentam a mídia, em resistir ao clamor da população. Ou será que nessa hora nossos legisladores, eleitos por nós, não nos representam? Então representam a quem?

Os crimes são mais brandos, ou menos graves quando praticados por menores? Ou não seriam crimes? Seriam crimes inocentes? Para as famílias das vítimas faz diferença se um assassinato foi praticado por um adulto ou por um menor?

Até quando a população, acuada, deverá permanecer passiva e inerte perante crimes de tamanha gravidade. Até quando nossos legisladores insistirão em tapar os próprios ouvidos para não escutar o clamor do povo?

Além disso, não conheço qualquer plano do governo voltado à recuperação desses menores assassinos. Quando detidos, permanecem recolhidos por alguns meses, ou menos, e depois são soltos, livres para reincidirem em seus atos.

Está na hora de colocar os pés no chão. De entender que quem utiliza uma arma para praticar assaltos e assassinatos deve ser julgado com base na gravidade do crime e não sob o manto protetor da cegueira teimosa que insiste em ocultar a realidade atual.
(publicado no JNB em junho de 2013)