domingo, 14 de junho de 2015

A vida

É difícil definir o que é a vida. Existem tantos aspectos a considerar, pontos de vista a destacar, prioridades a estabelecer, que uma definição simples será sempre insuficiente. E mesmo que seja mais elaborada, mais complexa sempre ficará aquém do alcance do verdadeiro sentido da vida. Por isso, melhor não tentar defini-la. É preferível vivê-la.

Sabe-se que a vida é o caminho único para a eternidade. Cada um dos momentos vividos, cada passo dado, cada pensamento, cada gesto, cada ato... tudo contribui para consolidar a vida e torná-la plena, e mais burilada para a eternidade.

Ninguém saberá, jamais, quantos passos já foram dados ou quantos ainda lhe restarão. Nem quantos pensamentos, quantos atos... Mas é possível saber quanto de boa vontade e de boas intenções se tem para alinhar e concluir esses propósitos.

Quantos serão os objetivos traçados e alcançados, quantos horizontes vislumbrados, quantos olhares dirigidos ao infinito... A quantidade será sempre um mistério, mas a intensidade pode ser medida e definida por cada pessoa.

A vida não pode ser confundida com um objetivo. A vida é o caminho. E cada um traça e se transforma no próprio caminho. Ninguém deve abrir mão da prerrogativa de ser o próprio caminho por onde a sua vida transita e o conduz no dia a dia. E esse caminho vai se recolhendo automaticamente à medida que por ele se transita, como se fosse um grande (ou pequeno) tapete que se enrola gradativa e definitivamente na sequência de cada passo dado.

Cada um é seu próprio caminho. Cada um constrói o seu caminho: ele pode ser fácil ou difícil, plano, montanhoso ou íngreme. Depende de cada um. Na margem desse caminho podem ser semeadas flores ou espinhos. Alguns, distraídos ou não, deixam as sementes dos espinhos caírem e germinar em seu sulco, o que dificultará a sua caminhada.

Nenhum caminho nasce pronto. Também não é construído num único dia. É composto por todos os momentos vividos. A cada momento se constrói um pedacinho dele. Pequenas distâncias obtidas da vivência de cada um dos minúsculos momentos.

Alguns têm medo de construir o seu caminho. Esperam que outros lhe indiquem sendas alternativas sem perceber que podem ser desconhecidas, sombrias, perdidas, às vezes equivocadas. Não sei se têm coragem de construí-lo ou se não têm vontade. Contentam-se em seguir por veredas já transitadas por outros, sem atrativos, sem luz, sem expectativas. Quem não constrói o próprio caminho corre o risco de embrenhar-se nessas direções alternativas, sem nenhuma segurança.

Fica evidente a importância de se construir o próprio caminho. Se a vida é pessoal e inédita para cada um, o seu caminho deve seguir o mesmo conceito: ser inédito, pessoal, intransferível. Assim é possível caminhar com passos firmes, seguros, decisivos, com a certeza de que se chegará exatamente onde se projetou chegar.

O mais importante da vida é que ela seja vivida por inteiro: desde o primeiro dia até o último. Mas vivê-la de verdade, com toda a intensidade em todos os momentos!

(Publicada no JNB em junho de 2015)