sábado, 24 de setembro de 2011

Coisas que a gente enxerga, mas não vê


São tantas coisas que passam pela nossa vida no dia-a-dia e que muitas vezes passam despercebidas, devido ao hábito, à rotina, à pressa, ao julgamento precipitado, que nos levam a perder o espírito de observação e o senso crítico.

Por comodismo a gente se apega e se fixa àquilo que aparece à primeira vista, sem antes passar pelo crivo da nossa avaliação. É algo parecido com determinados produtos que são colocados no mercado com forte campanha na mídia: “se formos com a cara deles”, tudo bem, do contrário, “não prestam”. Deixa-se de analisar se é realmente o melhor ou se é apenas mais uma jogada de marketing.

Em relação às pessoas pode acontecer o mesmo. Nem sempre o primeiro contato é o que vale, pois é fácil ver primeiro os defeitos, os pontos fracos, os cacoetes. Parar por aí pode significar deixar de conhecer grandes virtudes dessa pessoa. É como ver apenas o rótulo e satisfazer-se com ele antes de conhecer o seu conteúdo. Esquece-se que a verdadeira essência das pessoas é o seu conteúdo, não o seu rótulo ou a sua fachada.

Todos têm defeitos e virtudes. Por motivos que por hábito não se analisa, é comum dar mais ênfase aos defeitos e às deficiências das pessoas. E com isso forma-se uma espécie de cortina que encobre as suas virtudes. Prova disso são as fofocas. Nas fofocas fala-se sempre dos defeitos e dos erros de alguém, e às vezes até dos erros que poderão vir a praticar um dia, ou quando voluntária ou involuntariamente se tenta projetar nossas próprias deficiências sobre os outros.

Permanece-se muito mais tempo falando mal do que bem das pessoas. E esquece-se que quanto mais tempo se gasta em pensar e comentar coisas ruins, mais a mente se impregna de pensamentos negativos, fazendo com que eles influenciem a própria vida.

Buscar as virtudes nas pessoas, é um ato humano e divino. Além disso, engrandece e ajuda a mente a cultivar bons pensamentos, bons exemplos e ter a certeza que é possível ser mais otimista.

O fofoqueiro, aquele que se deleita em divulgar os defeitos dos outros, é acima de tudo um fraco: tem medo de perder o seu espaço, de ser elvolvido pela sombra do outro. Perde muito mais do que ganha, pois além de acabar acreditando no que fala, o seu pessimismo o ofusca e o inibe de captar as boas energias que emanam das virtudes do outro.

Ver primeiro e valorizar mais as coisas boas e as virtudes dos outros, além de ser uma atitude correta, valoriza a vida, deixando-a mais alegre. Traz bons fluidos, deixa a alma inebriada de otimismo. De um modo geral as pessoas têm mais potencialidades do que deficiências, mais virtudes do que defeitos. Vê-las com esses olhos é enriquecer-se a si mesmos, criando sempre mais energia positiva que ajuda a viver na paz, na fraternidade. Valorizar o que é bom é como cultivar flores: além serem lindas, elas nos presenteiam exalando-nos gratuitamente o seu rico perfume.  

(Artigo publicado no JNB em 24/07/2004)