sábado, 28 de dezembro de 2013

Papai Noel

Papai Noel, amanhã é Natal, lembra?
Claro que você lembra...
Mas, você se lembra de mim,
Desse menino pobre,
Que vive numa casinha muito inexpressiva,
Um pequeno barraco feito de refugos?
 
Eu nunca recebi um presente de Natal.
Meus pais nunca têm dinheiro,
E por isso você nunca veio me ver...
Mas, eu também sou uma criança...
Sou muito pobre, mas sou criança.
Vivo, penso como criança, sou uma delas...

O Natal para mim não é um dia feliz:
Meus amigos recebem presentes,
Roupas, brinquedos, sapatos, doces...
Eu nunca recebi nada.
No último Natal vi meus pais chorando,
Porque você não se lembrou de mim.

Meus pais me amam muito, mas são pobres
E não tem dinheiro para lhe dar...
Lembre-se de mim neste ano,
Não importa o presente que me der...
Eu ficarei muito feliz,
E meus pais, eu juro, muito mais!

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Transformar-se para transformar

A vida é um processo constante. Ela começa no dia da nossa concepção e se encerra em nosso último suspiro. Pelo menos a vida terrena. É como se as cortinas fechassem, e a gente ficasse de um lado, e a plateia de outro, mas sem se ver.

Durante esse processo, muitas coisas acontecem, ou poucas. Depende. Muitos fatos serão marcantes e marcarão nossos dias e os dias de muita gente. Pode-se viver esperando as coisas acontecerem. Ou pode-se fazer essas mesmas coisas acontecerem. Esta é a questão: aguardar passivamente, ou ser seu próprio artífice.

Deixar acontecer ou fazer acontecer. Ser conduzido pela vida ou viver a vida, conduzindo-a.

Todo início prevê um fim. É obvio, pois tudo o que é material tem seu período de vida. Ser humano é fazer parte deste estado material. Se cada humano tem um começo (nascimento) e um fim (morte), tudo de material que o envolve também tem um tempo limitado.

Se todo início é prenúncio de seu próprio fim, vale a pena começar? Para os fatalistas e pessimistas, não. São aqueles que esperam que tudo aconteça. Já para aqueles que optam por administrar a própria vida tudo é diferente. Mesmo cientes que muito pode acontecer à revelia de sua vontade ou de sua previsão, não se entregam à passividade dos fatos. Geram os fatos, ou no mínimo os transformam.

As casas, por exemplo, não importa se grandes ou pequenas, suntuosas ou simples, são todas construídas à base de elementos existentes na natureza. A capacidade, a vontade e a persistência humana transformam esses materiais, tornando-os habitações que abrigam bilhões de pessoas. Seria mais simples deixar tudo em seu estado natural e abrigar-se sob árvores, em cavernas, em buracos, ou ao relento. O exemplo pode parecer forçado, mas é real, faz refletir que tudo o que é transformado teve um começo muito diferente. Assim, toda vez que se decide ser ator ao invés de plateia, participa-se do processo de transformação da vida.

É importante parar para refletir sobre a vida e sobre o que ela espera de cada um. É uma forma de se dar valor. Refletir sobre os próprios feitos, naquilo que já se conquistou, na garra necessária para se perseguir aquilo que não se alcançou, mas que se deseja muito alcançar. Refletir é dizer para si mesmo que ainda há espírito de luta e esperança.

A reflexão é um caminho muito eficiente para se escolher os objetivos que realmente valem a pena perseguir, e para descobrir os melhores caminhos para atingi-los.

Refletir sobre as vitórias obtidas, sobre as derrotas. As vitórias conquistadas ensinam o caminho para outras vitórias. As derrotas são lições de vida, e elas podem se tornar marcos de empreitadas seguras e promissoras de conquistas duradouras.

É muito importante deixar claro que todos podem administrar a própria vida, fazer as coisas acontecerem e transformar os imprevistos. Ninguém nasce para ser menos capaz que os outros. Basta fazer a própria parte. Buscar respostas através da reflexão, da inteligência e do trabalho. Não precisa buscar grandes feitos. Os pequenos feitos, somados, podem ser muito mais importantes do que grandes realizações isoladas. Não se pode esquecer que toda matéria é formada por minúsculas partículas. Também não precisa ter a preocupação de ser notado.

Lembremo-nos do sol: ele está aí todos os dias dando-nos luz, calor, energia, vida... sem receber qualquer pagamento ou reconhecimento. E nem por isso deixa de cumprir sua missão.

Na vida de cada um, as conquistas são obtidas pouco a pouco. E a soma das pequenas conquistas se transforma em grandes feitos, em grandes vitórias. E é preciso que cada uma dessas pequenas conquistas chegue ao seu final, para poder começar outras, e outras, e tantas outras quantas forem necessárias.

É bom lembrar que tudo o que se começa terá um fim: é o prenúncio de uma conquista e, consequentemente, a possibilidade de se recomeçar e obter outras, outras, e muitas outras conquistas.

Por isso, olho no horizonte: ele está sempre aí disponível para ser alcançado. Para alguns ele pode estar muito distante. Para outros, muito próximo. Mas, a sua distância é proporcional à intensidade da força e da vontade de cada um. Horizonte é vida. É combustível que impulsiona a engrenagem dos passos rumo ao crescimento, à realização, às vitórias. Olhar para o horizonte e seguir em seu encalço é a diplomação dos vencedores.

(Publicado no JNB em dezembro de 2013)