terça-feira, 18 de agosto de 2026

O colibri e a águia (fábula)

 Em outros tempos...

Havia uma vasta floresta com muitas árvores centenárias, imponentes, que abrigavam inúmeros pássaros e pequenos animais. Diariamente, e em grande sinfonia, o canto dos passarinhos anunciava o nascer da manhã e o cair da tarde.

Nessa majestosa floresta vivia também uma águia muito forte, veloz e temida. Por ser a maior e a mais forte ave da floresta, certo dia ela se atribuiu o direito de comandar todos os pássaros, impondo-lhes suas próprias regras.

Assim, num dia ensolarado, quando os pássaros estavam abrigados em sombras refrescantes, próximas a um riacho, a Águia pousou no galho mais alto de uma dessas árvores centenárias, e proclamou:

- Atenção, a partir de hoje todos vocês deverão me obedecer e terão que seguir as regras que eu mesma ditarei. E, para começar: ninguém mais poderá voar sem minha permissão, e nem cantar sem meu prévio consentimento. Quem desobedecer será severamente punido.

Grande silencio se abateu sobre a floresta. Os passarinhos, por serem pequenos e frágeis, passaram a temer a força e as garras afiadas da águia. Então, baixaram a cabeça, resignados.

Mas, um pássaro pequeninho não concordava com tal tirania. Era um colibri solitário, quase despercebido, mas com uma inteligência muito desenvolvida. Um dia ele voou até bem próximo da águia e falou com firmeza:

- Senhora Águia, seu tamanho não lhe dá o direito de mandar em todos nós. A floresta é patrimônio de todos.

A águia zombou dele e soltou uma estrondosa gargalhada. Em seguida falou:

- Minúsculo colibri, quem você pensa que é? Que pretensão a sua! Acha que pode me intimidar?

Sem demonstrar medo, o colibri respondeu:

- Sozinho, talvez eu não a intimide. Mas quando me juntar a todos os demais você verá o quanto seremos fortes. Aguarde-nos e verá.

Então o pequeno colibri alçou voo e começou a chamar os pássaros: sabiás, andorinhas, bem-te-vis, tucanos, pica-paus, pardais, saracuras e todos os outros. Em sua preleção, ele os convenceu de que não deveriam sentir medo de enfrentar a velha águia, apesar dela ser tão forte. Argumentou que se agissem unidos, seriam imbatíveis.

Pouco a pouco eles foram criando coragem, e então partiram para a ação: cada um com sua melodia mais aguçada, começou a cantar. E seu canto criou uma linda e vibrante sinfonia.

A Águia se sentiu desafiada e ofendida. Então tentou calá-los, com suas ameaças habituais. Mas era tarde, nenhum pássaro demonstrou medo, não parou de cantar e nem arredou pé. Então ela percebeu que sua autoridade havia se esvaziado diante da resistência compacta dos pássaros.

Aos poucos os pássaros a cercaram de tal maneira que, como nunca tinha acontecido, ela se sentiu fraca e o medo tomou conta dela. E ela percebeu que não poderia enfrentar a todos.

Com seu orgulho ferido, e apavorada, lançou um último olhar sobre seus oponentes e, em seguida, voltou para o meio da floresta, de onde nunca deveria ter saído.

A floresta voltou a ser um lugar livre, onde cada pássaro podia voar e cantar como quisesse, sem que seu canto e seu voo fossem censurados.

E o pequeno colibri, antes tão discreto, passou a ser lembrado como aquele que provou que coragem e união valem mais do que tamanho.


Pensamento: A verdadeira força nasce da coragem e da união de todos.


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