Em outros tempos...
Num velho reino escondido
entre montanhas e pradarias, havia um tribunal cuja cátedra de julgador era
ocupada por um leão, temido por sua força e pela sua sede de vingança. Suas
decisões não se pautavam na sabedoria, mas na busca de seus próprios interesses.
A Coruja (sempre astuta),
acompanhava todos os julgamentos, e a intrigavam determinadas decisões do leão.
Então, começou a estudar com mais profundidade cada uma das sentenças
proferidas por ele e descobriu abusos, onde animais justos foram punidos e
condenados, enquanto malfeitores escaparam ilesos, porque sabiam bajular o leão
ou o corrompiam com presentes.
‘Que justiça é essa? É
apenas um jogo de interesses’, ponderou a Coruja.
Aninhada entre as folhas de
um carvalho centenário, começou a vigiar os passos do leão, e descobriu que
frequentemente indivíduos abonados eram salvos do rigor da lei, em prejuízo de
pessoas mais humildes. Ela gravou vários desses encontros do leão com os seus
subornadores para utilizar como prova em futuras denúncias. Registrou, também,
algumas conversas quando o Leão afirmava para eles: “Quem me agradar, sairá
livre. Quem me afrontar, sofrerá o castigo.”
Isso não é justiça, murmurou
a Coruja. Isso se chama engana-tolos. Indignada, numa noite de lua cheia, ela
reuniu os animais numa clareira da floresta, e revelou os segredos do julgador
injusto. Apresentou todas as provas que havia juntado em suas investigações
particulares.
Os animais se revoltaram, e o leão, antes temido, foi expulso. Em seu lugar, escolheram um Elefante, sábio, paciente e de memória longa, que jurou julgar sempre com equilíbrio e justiça.
Reflexão:
A justiça é cega só quando escolhe não enxergar.
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