segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

A coruja e o julgador vingativo (fábula)

Em outros tempos...

Num velho reino escondido entre montanhas e pradarias, havia um tribunal cuja cátedra de julgador era ocupada por um leão, temido por sua força e pela sua sede de vingança. Suas decisões não se pautavam na sabedoria, mas na busca de seus próprios interesses.

A Coruja (sempre astuta), acompanhava todos os julgamentos, e a intrigavam determinadas decisões do leão. Então, começou a estudar com mais profundidade cada uma das sentenças proferidas por ele e descobriu abusos, onde animais justos foram punidos e condenados, enquanto malfeitores escaparam ilesos, porque sabiam bajular o leão ou o corrompiam com presentes.

‘Que justiça é essa? É apenas um jogo de interesses’, ponderou a Coruja.

Aninhada entre as folhas de um carvalho centenário, começou a vigiar os passos do leão, e descobriu que frequentemente indivíduos abonados eram salvos do rigor da lei, em prejuízo de pessoas mais humildes. Ela gravou vários desses encontros do leão com os seus subornadores para utilizar como prova em futuras denúncias. Registrou, também, algumas conversas quando o Leão afirmava para eles: “Quem me agradar, sairá livre. Quem me afrontar, sofrerá o castigo.”

Isso não é justiça, murmurou a Coruja. Isso se chama engana-tolos. Indignada, numa noite de lua cheia, ela reuniu os animais numa clareira da floresta, e revelou os segredos do julgador injusto. Apresentou todas as provas que havia juntado em suas investigações particulares.

Os animais se revoltaram, e o leão, antes temido, foi expulso. Em seu lugar, escolheram um Elefante, sábio, paciente e de memória longa, que jurou julgar sempre com equilíbrio e justiça.

Reflexão: A justiça é cega só quando escolhe não enxergar.


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